Censo CAU: quem são, quantos são, quanto ganham os arquitetos brasileiros | aU - Arquitetura e Urbanismo

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Exercício profissional

Censo CAU: quem são, quantos são, quanto ganham os arquitetos brasileiros

Por Luciana Tamaki
Edição 230 - Maio/2013

Para aproveitar a atualização cadastral, o CAU/BR - ao lado da Parolle Comunicação e Serviços Especializados - realizou pela internet uma pesquisa socioeconômica, entre outubro e dezembro de 2012, com os arquitetos cadastrados no conselho. E o resultado se transformou no primeiro Censo de Arquitetos e Urbanistas, inédito no Brasil.

ONDE ESTÃO
São 83.754 arquitetos por todo o Brasil. O número por Estado segue a proporção do número de habitantes. 54% dos arquitetos estão na região Sudeste, 23% na região Sul, 12% no Nordeste, 8% no Centro-Oeste e 3% no Norte. Uma boa notícia para a categoria é que 92,30% dos profissionais registrados trabalham efetivamente na área de arquitetura e urbanismo.

GÊNERO
As mulheres representam 61% do total de arquitetos formados hoje. A proporção aumenta com o tempo: se acima de 61 anos os homens são a maioria (71,27%), a proporção se equilibra na faixa etária entre 41 e 60 anos, já com predominância feminina. A partir dos 40 anos para menos, a diferença aumenta, chegando a 78% de mulheres arquitetas entre 20 e 25 anos.

Isso indica uma mudança no perfil de gênero na área de arquitetura e urbanismo - resta saber se as perspectivas salariais para as mulheres também vão mudar: hoje, quando se cruzam os dados de gênero e salário, as mulheres são maioria entre os menores salários e minoria entre os maiores.

CARGA DE TRABALHO
A jornada de mais de 40 horas semanais é realizada por 40% dos arquitetos, seguida pela jornada de 30 a 40 horas para 26%. Já o salário não corresponde às expectativas dos entrevistados: 32% dos arquitetos veem como principal obstáculo ao exercício da profissão a má remuneração, perdendo somente da falta de valorização da profissão pela sociedade, que teve numerosos 52%. A falta de acesso ao mercado de trabalho veio em terceiro lugar, com 9%. Juntos, a falta de apoio e a desunião da categoria, as falhas na regulamentação da profissão, a falta de uma tabela de honorários justa e a falta de apoio jurídico na elaboração de contratos somam 7% dos obstáculos para os entrevistados - desafios para as instituições que representam o arquiteto, inclusive o próprio CAU.

PESSOA JURÍDICA E RENDIMENTOS
O empreendedorismo é um dos principais pontos explorados pelo CAU/BR. Cruzando os dados de rendimento com a quantidade de arquitetos que possuem empresa própria, percebe-se que arquitetos que possuem pessoa jurídica (PJ) estão em uma faixa salarial maior. Destaca-se a faixa de mais de 20 salários mínimos, na qual mais da metade possui PJ, seja na categoria uniprofissional - apenas o arquiteto - ou mista, o caso de empresas com mais funcionários.

Entre os salários mais baixos estão aqueles contratados majoritariamente por pessoas físicas, não jurídicas. Conforme o rendimento do profissional aumenta, há uma inversão nessa proporção. A partir de oito salários mínimos, os contratantes são, em maior parte, pessoas jurídicas. Isso se alia à informação de que a maior parte dos arquitetos que não possui PJ trabalha para pessoas físicas (58,32%), enquanto os arquitetos que possuem empresa trabalham para outras empresas (53,91% para empresa mista e 50,80% para uniprofissional).

Ou seja, há uma tendência de pessoas jurídicas contratarem pessoas jurídicas, e esses são os trabalhos mais bem-remunerados, provavelmente por serem projetos maiores. Não entram, nesse caso, as situações de PJs que dão nota mas trabalham como assalariado, apenas casos de arquitetos com empresas próprias, mistas ou uniprofissionais.

Para o CAU/BR, tais dados indicam a necessidade de ações que estimulem os arquitetos ao empreendedorismo. Mesmo que o percentual total de arquitetos que possuem empresa (20,67%) seja elevado em relação à taxa do País, a maioria é formada por microempresários, com empresas de até cinco funcionários: 75,18%.

 

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