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Porcelanato para fachadas

Resistência externa

EVOLUÇÃO DA CERÂMICA, O GRÉS PORCELANATO ESTÁ SUBINDO AS FACHADAS E TOMANDO O LUGAR DOS REVESTIMENTOS TRADICIONAIS. MAS FIQUE ATENTO: O PROCESSO AINDA É NOVO NO BRASIL E EXIGE CUIDADOS NA ESPECIFICAÇÃO

POR SILVANA MARIA ROSSO
Edição 157 - Março/2007

O grés porcelanato é a rocha feita pelo homem", define Otavio Luiz do Nascimento, engenheiro civil, mestre em ciências dos materiais e diretor da Consultare. O material é uma versão evoluída da cerâmica - que pode imitar os desenhos de pedras, madeira e outros produtos - com a vantagem de ser mais resistente, impermeável e apresentar acabamento uniforme. O revestimento está tomando o lugar das pedras e do alumínio ao unir qualidade com bom custo. "A tendência é, em breve, também substituir a cerâmica. O preço ficará mais competitivo", prevê Nascimento.

O porcelanato é composto por argilas selecionadas mais fundentes especiais. Prensada e queimada a altas temperaturas, a mistura resulta em uma massa compacta, homogênea, densa e vitrificada, que é apresentada nos acabamentos polido e natural, e em grandes formatos (45 x 45 cm, 60 x 60 cm, 60 x 120 cm, 100 x 100 cm e 100 x 200 cm), além das medidas tradicionais.

Por ser um acabamento de baixa absorção, a princípio, o porcelanato só era utilizado em pisos. "O desenvolvimento das argamassas e o surgimento de formatos maiores impulsionaram o seu uso em fachadas", esclarece Jonas Silvestre Medeiros, engenheiro civil, doutor em revestimentos de fachada e diretor técnico da Inovatec Consultores. Estabilidade de cores e praticamente ausência de expansão por umidade faz o acabamento ser também apropriado para a instalação no exterior de edifícios. No entanto, por aqui, Jonas alerta que ainda não há normatização para placas a partir de 400 cm2.

Formas de aplicação
A instalação do porcelanato pode ser a tradicional aderida ou a mecânica. A escolha entre os dois depende do projeto de fachada e do estudo de viabilidade econômica.

O sistema aderido é executado com argamassa colante AC3, de elevada aderência, ou bicomponente, com maior capacidade de deformação. Nesse tipo de aplicação, deve-se pressupor as ações dos agentes naturais e das movimentações intrínsecas dos materiais, devido às variações higrotérmicas. Ao especificar esse sistema, Medeiros alerta para a necessidade de juntas de no mínimo 5 mm, garantindo a movimentação do material, e juntas de dilatação de, pelo menos, 1/3 do emboço.

Na Europa, que adota a fachada-cortina para a fixação das placas, o processo mecânico ou afastado já é consagrado e é oferecido como solução completa. "São sistemas testados e homologados", afirma Medeiros. No Brasil, porém, "pela falta de cultura, de fornecedores e do custo elevado, a execução do afastado é com insertos metálicos - semelhante ao granito", explica Nascimento. As placas podem ser presas com garras ou parafusos, ainda que este último não seja recomendado por exigir modificação da espessura. Por aqui, apenas a Gyotoku comercializa a solução com insertos, assumindo o projeto e a execução.

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