Hereñu + Ferroni Arquitetos vence concurso para modernização do Museu do Ipiranga, em São Paulo

O escritório Hereñu + Ferroni Arquitetos Ltda foi o vencedor do Concurso Nacional de Arquitetura para o estudo preliminar e futura contratação do projeto de restauração e modernização do Edifício-Monumento do Museu Paulista da Universidade de São Paulo (USP), conhecido como Museu do Ipiranga, o mais antigo de São Paulo. A competição foi promovida pela Fundação de Apoio à USP (FUSP), em parceria com o Departamento de São Paulo do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/SP) e com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU/SP).

A edificação completou 195 anos no dia 7 de setembro de 2017 e está fechada desde 2013 devido a identificação de risco de queda de parte do forro, resultando em diversas interversões estruturais. O Edifício-Monumento foi projetado no final do século XIX por Tommaso Gaudenzio Bezzi e é tombado pelos órgãos de patrimônio nas instâncias municipal, estadual e federal.

Conforme o Plano de Modernização do Museu Paulista, o concurso terá duas fases: Etapa 1 – Restauração e Modernização do Edifício-Monumento e Etapa 2 – Ampliação, que inclui a construção de um Bloco Técnico em local indefinido, onde será instalado o Núcleo de Pesquisa, Ensino e Preservação do Museu Paulista.

Ao todo, 13 projetos foram inscritos no concurso, sendo que nove foram habilitados para participação. O projeto ganhador prevê, dentre outras ações, a criação de um novo acesso pelo subsolo do edifício, onde haverá uma área de convivência, com livraria, cafeteria e auditório, e a instalação de um mirante.

“O objetivo geral não é impor a face do novo, mas revelar de maneira nova o que já estava lá, por meio de articulações, disposições espaciais e percursos que as intervenções discretamente propiciam”, diz o memorial descritivo do projeto do escritório Hereñu + Ferroni Arquitetos. Primeiro será feita a recuperação da integridade física e reabilitação/modernização do Edifício-Monumento e depois será criado um setor novo no piso subterrâneo, complementar e integrado, contendo grande parte dos serviços e áreas necessárias ao pleno funcionamento do museu.

Como critérios de avaliação foram considerados aspectos como racionalidade, funcionalidade e exequibilidade técnica; respeito às características materiais, estruturais, composição e documentais do edifício; criatividade, solução estética e inovação do projeto; atendimento às especificidades do uso e das soluções de circulação e acessibilidade; e adoção de critérios e soluções de projeto para a sustentabilidade ambiental.

O júri foi presidido pelo pró-reitor de Cultura e Extensão Universitária da USP, Marcelo de Andrade Roméro, e formado pela diretora do Museu, Solange Ferraz de Lima; pela professora do MP, Maria Aparecida de Menezes Borrego; pela museóloga Vera Lúcia Bottrel Tostes; pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), Angelo Bucci; pelo presidente do Ibram, Marcelo Mattos Araújo; pelo engenheiro João Appleton; e pelos arquitetos Marcos José Carrilho (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan), Walter Luiz Fragoni (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – Condephaat), Mariana de Souza Rolim (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – Conpresp) e Sabrina Studart Fontenele Costa (IAB). O grupo recebeu, ainda, o auxílio de uma comissão técnica composta de especialistas renomados das áreas e coordenada pelo professor Paulo Garcez Marins.

Além da empresa vencedora, outros dois projetos foram premiados: em segundo lugar, o escritório Pires Giovanetti Guardia Engenharia Arquitetura Ltda. e, em terceiro, Arquiteto Hector Vigliecca e Associados Ltda. Os três primeiros colocados receberam premiação de R$ 25 mil, R$ 15 mil e R$ 10 mil, respectivamente. Vale ressaltar que o grande vencedor será o responsável pelo contrato de execução e elaboração do projeto a ser aplicado no museu, com um custo de R$ 5,6 milhões.

O escritório Hereñu + Ferroni Arquitetos terá o prazo de 12 meses, a contar da assinatura do contrato, para a elaboração do projeto executivo. Com o projeto finalizado, a USP poderá efetuar a licitação das obras, que deverão ter início em 2019. A previsão é que o museu seja reaberto em 2022, nas celebrações do Bicentenário da Independência. O edifício passará a ser dedicado exclusivamente à visitação pública, com exposições e espaços de fruição visual de sua arquitetura monumental.