Transformada em templo de bem-estar, a nova safra de banheiros conta com soluções e produtos que integram design, tecnologia e sustentabilidade

Para atender ao desejo dos clientes, que queriam duas cubas, boxe e banheira separados, a Korman arquitetos juntou o antigo banheiro ao quarto de empregada, conquistando esta generosa sala de banho.

Com vista privilegiada para a praia da Joatinga, no rio de Janeiro, este ambiente projetado pela rap arquitetura dispôs banheira e boxe em áreas separadas.

Quais foram as principais mudanças do banheiro?
FABIO CAMURRI

Há alguns anos, era um ambiente subjugado, que, muitas vezes, ficava fora da casa. Hoje, passou a ser mais valorizado e ninguém aceita mais qualquer tipo de produto, dando preferência a tudo o que apresente um bom design. Trata-se do primeiro lugar que lhe dá bom-dia e o último que lhe dá boa-noite. Independentemente do tamanho do espaço, cabe ao arquiteto usar a criatividade para torná-lo agradável, prático e ergonômico.

ALESSANDRA RIERA
Ele se transformou muito com o tempo. Entre as principais mudanças e os principais pedidos estão as pias duplas, uma para o marido e outra para a esposa, e um boxe generoso com banheira e dois chuveiros, algo que não é nada sustentável, infelizmente. Outra mudança foi a retirada, quase em todos os projetos, do bidê, que aos poucos perdeu lugar para a ducha higiênica e os assentos eletrônicos.

IEDA KORMAN
A tecnologia, na minha opinião, trouxe a grande transformação do banheiro. O sistema touch presente nos metais, embora ainda não seja muito aceito pela maioria das pessoas no Brasil, vem ganhando espaço, principalmente com o público de alta renda. Quem deseja valorizar o imóvel e vendê-lo por um preço melhor daqui dez anos precisará pensar que essa tecnologia será um facilitador da negociação. O que complica, infelizmente, é que o encanador, o eletricista e o pessoal da obra não sabem trabalhar com esse tipo de produto. É aí que está o desafio para as marcas, que precisam ajudar os arquitetos nesse suporte.

O ambiente está mais tecnológico?
MARIANA LONGHI

Sim, sem dúvida. Basta levar em conta que na última Expo Revestir, a mais importante feira do segmento que ocorreu em março, a maioria dos metais apresentados tinha enfoque em tecnologia. Só a questão dos chuveiros, o grande vilão do consumo de água, que ainda é um desafio. Hoje, é possível que o produto saia da fábrica com restritor de vazão, mas nem sempre o cliente final quer e aceita isso.

DENIS FRAUSTO
Os fabricantes não estão preocupados somente com a inovação, mas também com a sustentabilidade. Há torneiras com economizadores de água, bacias com redução de consumo, entre outros avanços. No entanto, não basta oferecer esses produtos se o usuário fica um tempo enorme com o chuveiro ligado. É preciso haver uma conscientização.

OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR.
Mais do que pensar nos fatores tecnologia e design, precisamos levar em conta que os produtos devem atender ao envelhecimento da população e à falta de água, especialmente nos grandes centros urbanos. Já quando o assunto é a diminuição dos espaços, hoje temos as duchas laterais e as colunas de banho. Tudo sem perder o conforto que tanto se deseja no banheiro. E quando se trata de bem-estar, novamente voltamos ao chuveiro, onde está o nosso grande desafio. A luta dos fabricantes está em conseguir um produto com uma faixa de vazão menor, sem mexer na qualidade do banho. Estamos tentando trazer soluções, como incorporar ar nos jatos, definindo o formato ideal do crivo do chuveiro para que se possa deixar o banho mais eficiente.

No projeto do banheiro, a sustentabilidade é um pedido do consumidor ou só do arquiteto?
IEDA KORMAN

Esse assunto não passa pela cabeça dos clientes, mas acredito que será uma realidade da nova geração. A principal preocupação deles é com a segurança física, por exemplo, se o piso do boxe não escorrega, se as louças sanitárias serão brancas, a fim de identificar uma possível infecção do filho, entre outros pedidos.

ALESSANDRA RIERA
Na realidade, um dos principais pedidos é ter um chuveiro que faça massagem, que jogue bastante água, o que vai totalmente contra à sustentabilidade. Mas podemos afirmar que as crianças estão mais atentas ao assunto, pois veem isso bastante na escola. A população do futuro terá essa consciência.

DENIS FRAUSTO
Tudo é questão de cultura. Precisamos saber que vai faltar água e que não podemos ficar duas horas debaixo do chuveiro. No entanto, precisamos comentar que estamos fabricando produtos que vão na contramão da sustentabilidade, a exemplo das duchas com rádio, capazes de estimular o usuário a ouvir a sua playlist inteira tomando banho. Até existem as pessoas que iniciam um projeto pensando na cistema, no tratamento de água da chuva, na placa solar, mas, quando vê o alto custo de tudo, acaba mudando o caminho.

ALESSANDRA RIERA
O temporizador é uma ótima saída, pois deixa a água na temperatura que o morador desejar, resultando em economia de água. Mas o preço desse acessório é tão alto que acaba sendo cortado na primeira oportunidade.

FABIO CAMURRI
É o setor hoteleiro que mais valoriza a sustentabilidade, pois algumas soluções acabam gerando economia no negócio em si. Temos que trabalhar para que a sustentabilidade não seja míope. Mais do que investir numa bacia sanitária de menor consumo de água, precisamos estar ligados nos processos da indústria. Como ela cuida dos resíduos? Como usa a matéria-prima? Essas perguntas devem ser feitas ao optar-se por um produto.

IEDA KORMAN
A próxima geração vai verificar até se o creme que ela pensa em comprar foi testado em animais, se o canudinho é biodegradável. Isso é uma coisa para daqui dez ou 15 anos, e a indústria que não estiver habilitada, sem dúvida, morrerá.

OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR.
É preciso entender o ciclo de vida do produto, saber desde o impacto do processo fabril até o descarte. A sustentabilidade vai longe e é influenciada pela mão de obra, pois é preciso conseguir instalar o produto. E tem mais: uma torneira com fechamento automático requer manutenção. Se você não a fizer, daqui algum tempo o mecanismo vai dar problema e o produto não funcionará direito. Ou seja, aquilo que foi proposto, se não tiver manutenção, se perde ao longo do tempo. Também é preciso que haja mudanças nos hábitos do consumidor, pois tudo deve começar na conscientização.

Com a tecnologia Rimless, da Duravit, o vaso sanitário dispõe de uma argola aberta, proporcionando uma higiene mais eficiente, pois a água contorna completamente a superfície interna da bacia. O segundo produto é o misturador blend flex, da docol, que tem duplo acionamento – manual e automático – gerando té 70% de economia de água.

Na especificação dos metais, qual deve ser o ponto de partida?
ALESSANDRA RIERA

O estilo do projeto, se ele será mais moderno, clássico. Depois a gente parte para a escolha dos produtos que combinem com esse estilo. O custo vem na sequência, pois precisamos adequar o valor ao budget disponível do cliente. Primeiro, apresentamos o que há de melhor, e temos que mudar a opção caso o cliente queira algo mais em conta.

IEDA KORMAN
Cada ambiente tem a sua necessidade. Para um lavabo, lógico que vamos usar uma torneira deslumbrante de design. Para os banheiros, eu levo o cliente a uma loja, pois é difícil escolher por catálogo. Ele vai testar, tocar, manusear e escolher o que é mais ergonômico para a família. Depois disso há o custo e, se o cliente não quiser gastar muito, acaba optando por uma linha mais tradicional.

E quando falamos de louças sanitárias? Como deve ser?
OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR.

Tudo varia conforme a disponibilidade financeira. Mas não podemos nos esquecer de pensar no pós-venda, que é fundamental. Como será a manutenção desse produto e como será o serviço prestado pela fabricante lá na frente. São questões que temos que alertar e, nós, fabricantes, nos preocupamos muito desde a especificação até a instalação.

IEDA KORMAN
Não dá para pensar somente em São Paulo. Como será a mão de obra em outras regiões? Ela precisa estar pronta para instalar os produtos no local onde estiver o imóvel.

A fabricação das louças influencia na economia de água?
FABIO CAMURRI

Quando se trata de vasos sanitários, sim. O sifão da bacia está diretamente ligado com o consumo de água. A gente pensa, muitas vezes, que o gasto tem a ver com a válvula de descarga, a caixa embutida ou a caixa acoplada. Mas, na verdade, o que determina o consumo é a bacia. No Brasil, a norma permite que as bacias com caixa consumam entre 5,8 a 7,1 litros de água por descarga, com consumo nominal de 6,8 litros.

DENIS FRAUSTO
Nosso grande problema está na linha de escoamento, na rede de esgoto. Nos EUA, há um declive de 2%, e aqui temos 1%. No Canadá, falamos de técnicos e engenheiros de instalação que se dedicam aos detalhes do projeto do esgoto. Aqui, não funciona assim. Temos que mudar o sistema de escoamento e a norma de instalação.

OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR. E os problemas não param por aí. Há muita empresa de fundo de quintal fabricando louças sem se preocupar com as normas, colocando em risco o usuário. Precisamos ter ações que ajudem o programa brasileiro de qualidade.

DENIS FRAUSTO
A norma técnica para vasos sanitários de cerâmica é a NBR 15097, que estabelece os requisitos mínimos para os produtos. Já a NBR 10281 serve para as torneiras, normatizando a vazão mínima, a resistência à corrosão e ao choque térmico, entre outros itens.

A bacia a vácuo é uma boa solução para economizar água?
FABIO CAMURRI

Ela foi desenvolvida para navio, trem, avião. É uma aplicação para uma determinada necessidade. Não é um produto para residência.

OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR.
Tudo é uma questão de aplicação. Faz sentido em alguns edifícios e locais públicos, mas não em áreas residenciais. Além disso, o esgoto a vácuo precisa ser muito bem-feito, requer manutenção, caso contrário, se houver falhas, vai virar um caos.

Unindo pia e vaso sanitário numa única peça, o W+W, da roca, permite reutilizar a água do lavatório na descarga. A economia de água é de até 75%, graças a um dispositivo na válvula de escoamento.
Nos chuveiros da linha eco, da deca, o sistema que mistura água e ar reduz o consumo de água sem prejudicar o conforto do banho. A economia pode ser de até 80% de água, conforme o modelo escolhido

O que há de mais moderno em louças e metais?
DENIS FRAUSTO

Um das nossas sugestões é o lavatório W+W integrado a bacia sanitária com caixa acoplada, que reutiliza a água da pia na descarga, permitindo economia de até 75% no consumo de água.

MARIANA LONGHI
Uma das novidades focada em sustentabilidade são as torneiras e os misturadores Blend Flex, com dois acionamentos num único produto. Elas permitem a pré-regulagem da água e a disposição personalizada dos componentes – bica e volantes – na bancada, por meio de seu sistema flexível de instalação.

OSVALDO BARBOSA DE OLIVEIRA JR.
Os nossos destaques são os chuveiros da linha Eco, que têm uma tecnologia capaz de misturar água e ar, garantindo o conforto na hora do banho e economizando bastante água.

FABIO CAMURRI
Um dos destaques é a tecnologia Rimless, focada na questão de higiene. O formato da argola aberta da bacia sanitária permite uma descarga poderosa e inovadora, sendo que a água passa horizontalmente pela argola e em seguida, verticalmente, antes de lavar completamente toda a superfície interna da bacia, sem deixar respingos.

Alessandra Riera 1 , arquiteta e sócia do escritório RAP Arquitetura
Denis Frausto 2 , tecnólogo de produção e chefe de qualidade da Roca Brasil
Fabio Camurri 3 , engenheiro e gerente de projeto da Duravit
Ieda Korman 4 , arquiteta do escritório Korman Arquitetos
Mariana Longhi 5 , especificadora técnica da Docol
Osvaldo Barbosa de Oliveira Jr. 6 , coordenador de engenharia de aplicação da Deca e responsável pelo Programa Deca|ProÁgua