Editorial: reconhecimento e valorização

GUSTAVO CURCIO

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo das Unidades da Federação (CAU/UF) foram criados pela Lei 12.378, de 31 de dezembro de 2010. Apenas um ano depois, em 15 de dezembro de 2011, nasceu o corpo que regula o exercício de nossa profissão no país. Consolidado, o CAU/BR desempenha papel fundamental para a valorização de arquitetos e urbanistas. Dentre os pleitos junto ao Congresso Nacional está a recém-apresentada proposta de criação de lei específica para contratação de projetos e obras públicas – apresentada no dia 5 de julho em conjunto com o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). A ideia é tratar de forma diferenciada a compra de produtos como materiais de expediente, serviços intelectuais e serviços de arquitetura. “Estamos propondo um passo mais largo, para além da revisão da Lei de Licitações. É preciso uma lei própria para projetos”, afirmou o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro, durante o I Fórum de Desenvolvimento Urbano, realizado em uma parceria do CAU/BR e da Câmara dos Deputados.

Diante da dinâmica de crescimento das cidades brasileiras e dos novos padrões de ocupação, está clara a necessidade de fortalecimento dos quadros técnicos dos órgãos públicos para o planejamento urbano. “Precisamos recolocar o Estado como indutor através do planejamento, e não só através do investimento”, ressalta o presidente do CAU/BR.

Temos apresentado nas últimas edições exemplos de intervenções urbanas que promoveram verdadeiras revoluções em áreas degradadas de centros urbanos mundo afora. Neste mês, é a vez do Canadá, com o icônico Anfiteatro Trois-Rivières, projeto do Atelier Paul Laurendeau, em Quebec. A construção de cobertura metálica monumental é o ápice da intervenção urbanística que requalificou uma antiga área industrial da cidade.

Exemplos como o canadense reacendem a discussão em torno da cidade dotada de usos variados e igualmente distribuídos ao longo do território. A setorização das cidades, tão pregada pelo modelo modernista, trouxe consigo a necessidade de transporte de longas distâncias para as pessoas irem até os locais de trabalho. Essa herança é sentida até hoje por aqui. “Nas cidades brasileiras, a adoção do modelo modernista de produzir cidades resultou na implantação de moradias localizadas em bairros distantes da área central e dos postos de trabalho”, explica a professora e arquiteta Elisabete França.

Valorizar a própria profissão é papel de cada arquiteto e urbanista. Pleitear a valorização junto ao poder público é o que esperamos do conselho que nos representa.

“Diante da dinâmica de crescimento das cidades brasileiras e dos novos padrões de ocupação, está clara a necessidade de fortalecimento dos quadros técnicos dos órgãos públicos para o planejamento urbano”