Com uma variedade cada vez maior, os pisos para espaços corporativos precisam atender a algumas exigências, a fim de simplificar a manutenção e evitar problemas de acústica e desgaste

Aspectos como intensidade de circulação de pessoas, rotina de limpeza e perfil da empresa não são os únicos fatores essenciais para acertar na escolha do piso do escritório. ‘Em obras corporativas é comum ter uma parte da infraestrutura de dados, elétrica e hidráulica passando pelo piso. Por isso, dependendo do material escolhido, você acaba inviabilizando a manutenção e o acesso a essas infraestruturas’, alerta o arquiteto Bruno Moraes. Seguindo essa orientação, vale tomar a decisão certa no início do projeto, por causa dessas interferências, o que ajuda a definir como serão passadas as infraestruturas e onde serão as áreas molhadas, molháveis e secas.

Espaços corporativos requerem flexibilidade, já que a dinâmica de mudança da estrutura da empresa é constante, seja por crescimento, seja por diminuição do número de colaboradores ou mudanças estruturais. ‘Nesse caso, o piso escolhido deve levar em conta essa dinâmica’, comenta a arquiteta Marcia Sakima, da Ufficcio Arquitetura e Engenharia, que enumerou outros pontos importantes:

Acústica: materiais com elevado coeficiente de absorção acústica, evitando reverberação de som no ambiente de trabalho.
Combate a incêndio: as opções de revestimento devem estar dentro das normas especificadas pelo Corpo de Bombeiros, que determinam os índices de resistência ao fogo, emissão de fumaça etc. Muitos condomínios exigem o laudo Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento (CMAR), obrigatório para a obtenção do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Ele estabelece que condições devem ser atendidas pelos materiais de acabamento e de revestimento utilizado no imóvel, para que, no caso de sinistro de incêndio, esses produtos restrinjam a propagação de fogo e o desenvolvimento de fumaça, atendendo ao previsto na legislação de segurança contra incêndio das edificações e áreas de risco do estado de São Paulo.
Classificação de uso: as versões para espaços corporativos precisam suportar o alto tráfego (classificação 33) e ter capa de uso superior a 0,5 mm.
Manutenção: vale pensar na conservação e na limpeza descomplicadas do revestimento. É importante que a manutenção seja adequada para a frequência de limpeza do ambiente, de modo a não interferir na funcionalidade do espaço e na rotina dos funcionários. Escritórios mais dinâmicos podem se beneficiar de pisos de limpeza fácil e rápida, como o porcenalato e o vinílico, por exemplo.

Cada tipo de revestimento possui necessidades específicas de manutenção. Portanto, é fundamental avaliar com antecedência os cuidados a serem tomados. “Antes da compra, convém verificar como deve ser a conservação e se a empresa tem mão de obra qualificada para manter o piso que está adquirindo”, alerta Bruno Moraes. “Muitos fornecedores cancelam a garantia do produto quando não se segue a forma correta de manutenção”, completa. Depois de definir a tipologia do piso, o acabamento, a cor e o modelo podem ficar mais para o fim do projeto, pois esses três itens devem combinar com os outros materiais que serão escolhidos para ambientar o projeto, como os móveis, a tonalidade das paredes, a marcenaria etc. Há muitos projetos corporativos certificados com selos sustentáveis, e nesses casos os cuidados na hora da escolha dos pisos devem ser maiores, pois deve-se analisar todo o processo de fabricação dos componentes dos revestimentos.

MATERIAIS MAIS ADOTADOS

Carpete em placa: assim como o piso vinílico, esse tipo apresenta boa absorção acústica. Pode ser autoportante, o que facilita a troca de algumas peças quando houver problema de sujeira. Em caso de piso elevado, é um material apropriado para a realização de manutenção e tem flexibilidade necessária a fim de permitir o acesso às infraestruturas existentes sob o piso.
Vinílico: vem sendo muito usado em espaços corporativos devido às suas características funcionais e estéticas. Além de apresentar alta resistência ao desgaste, essa opção ajuda no isolamento de ruídos no ambiente. Conta com ampla variedade de cores, acabamentos e padrões, que simulam com fidelidade os materiais naturais, como a madeira. Em contrapartida, nem todos os vinílicos aceitam umidade, e a maioria não deve ser adotada em áreas molhadas.
Porcelanato: embora seja considerado um piso frio e tenha uma instalação mais demorada, ele apresenta porosidade quase nula e é imbatível no quesito facilidade de limpeza, especialmente nas áreas molhadas e copas. Com a consagração da impressão digital de alta definição, esse revestimento passou a contar com versões cujo visual é idêntico ao dos naturais, como madeira e pedra.

Profusão de materiais
Soluções diferentes compõem os pisos dos quatro pavimentos do escritório da Diebold, assinado pela Ufficcio Arquitetura e Engenharia. Para que a imagem corporativa da empresa se refletisse no escritório, o projeto explorou as cores do guide da empresa. Os carpetes em tons de cinza (WK Carpetes) demarcam a circulação das áreas de trabalho. Já as versões com 12 tons diferentes (Milliken) foram aplicadas em faixas distribuídas transversalmente, no sentido  do comprimento maior da edificação, criando uma zona com nuances quentes e outra com frias. Nos espaços com recepção, showroom, reuniões e diretoria, cartões de visitas da empresa, predominaram o carpete e o piso vinílico, com áreas pontuais revestidas de deques de madeira e granito. Na copa e no café, o piso vinílico tem três tons de cinza para compor um xadrez e criar um efeito descontraído.

FICHA TÉCNICA

OBRA Diebold
LOCAL São Paulo (SP)
ANO 2016
ÁREA 4.000 m²
PROJETO DE INTERIORES Ufficcio Arquitetura e Engenharia
CARPETES WK Carpetes (cinza) e Milliken (coloridos)
PISO VINÍLICO Revitech Pisos (copa e diretoria) e Tapetes São Carlos (laboratórios)
CONSTRUÇÃO Ufficcio Arquitetura e Engenharia

Sistema economiza luz
Neste escritório, o arquiteto Bruno Moraes apostou num sistema de piso refrigerado pouco comum no Brasil. O revestimento foi aplicado sobre um piso elevado afastado 50  m do contrapiso, criando nesse vão um sistema de ar-condicionado ou climatização muito defendido pelas certificações sustentáveis. Há uma econômica significativa na energia elétrica, pois, quando o ar sai pelo piso, ele já faz seu caminho natural, sai gelado e ao esquentar ele sobe naturalmente sem esforço. Para o acabamento, o profissional elegeu os carpetes em placas (Interface) nas salas de reunião, o que facilita a substituição de uma única peça, caso ela fique suja. Na recepção, adotou um porcelanato (Portobello) que reproduz o visual moderno do concreto e é simples de limpar. Nas áreas molhadas, usou porcelanato branco. Os carpetes em placas, mais aconchegantes, ficaram no lounge de espera, nas salas de reunião e nas áreas de trabalho.

FICHA TÉCNICA

OBRA Amatuzzi Advogados
LOCAL São Paulo (SP)
ANO 2016
ÁREA 145 m²
PROJETO DE INTERIORES Bruno Moraes Arquitetura
CARPETE Interface (placa de 50 cm x 50 cm)
PORCELANATO Portobello (modelos Brasília Concreto grafite de 1,20 m x 0,20 m e Bianco de 60 cm x 60 cm)
CONSTRUÇÃO Bruno Moraes Arquitetura e 3M Arquitetura

Foco no aconchego
Para tirar o melhor partido das vantagens que cada material oferece, a arquiteta Luciana Tomas alternou diferentes tipos de piso em cada área do escritório da construtora Gafisa. Com visual que lembra a madeira, o porcelanato que reveste a copa não só simplifica a limpeza e higiene, como também aquece e traz a sensação de aconchego para o ambiente, já que as paredes e o teto são predominantemente brancos. Já a área do staff recebeu carpete em placas, assentado sobre o piso elevado, solução que facilita o acesso a infraestrutura de fios e cabos escondidos. Essa alternativa apresenta ainda outra vantagem: tem propriedades acústicas, evitando as reverberações do som no espaço de trabalho, além de torná-lo mais acolhedor. O carpete usado foi o da Interface, justamente por ser uma empresa ambientalmente responsável, premissa básica levada em conta no escopo deste projeto.

FICHA TÉCNICA

OBRA Escritório Gafisa
LOCAL São Paulo (SP)
ANO 2015
ÁREA 2.700 m²
PROJETO DE INTERIORES Luciana Tomas Arquitetura
PISO PORCELANATO Incepa
PISO CARPETE EM PLACAS Interface
CONSTRUÇÃO Gafisa

Instalação e manutenção fáceis
O conforto e o bem-estar de funcionários e visitantes foram as premissas que nortearam o projeto da Votorantim criado pela PA3 Arquitetura. Para a recepção e o lounge de espera, os profissionais elegeram as réguas vinílicas que imitam o visual da madeira – até o toque e as medidas são parecidos. Os arquitetos não só buscaram destacar a entrada usando um piso diferentes dos demais ambientes do escritório, como elegeram um material pensando na alta resistência, na durabilidade, e na facilidade de instalação, que requer uma preparação prévia com argamassa de PVA regularizadora. O restante do escritório foi revestido com carpete em placas, que também é simples de colocar e tem a vantagem de apresentar conforto acústico.

FICHA TÉCNICA

OBRA Votorantim
LOCAL São Paulo (SP)
ANO 2015
ÁREA 170 m²
PROJETO DE INTERIORES PA3 Arquitetura
PISO VINÍLICO Revitech (comercializado pela Raico)
CONSTRUÇÃO Gacitua Estrada