O que algumas cidades estão fazendo para alcançar a mobilidade urbana sustentável

MARCOS VINÍCIUS BIGOLIN
do curso de engenharia civil do Centro Universitário Univates, em Lajeado (RS)

LUÃ CARNEIRO
do curso de engenharia civil do Centro Universitário Univates, em Lajeado (RS)


INTRODUÇÃO

A implantação de medidas e procedimentos que contribuam para a sustentabilidade em áreas urbanas tem reforçado a preocupação com o desenvolvimento sustentável em diferentes setores. A mobilidade urbana sustentável tem relação com os transportes e se dá por meio de uma busca pelo melhor conceito de desenvolvimento sustentável, visando a estratégias dentro de uma visão conjunta das questões econômicas, sociais e ambientais. O presente artigo científico tem como objetivo principal fazer uma revisão sobre o tema, buscando todas as informações necessárias para que seja possível fazer uma avaliação sobre a questão da mobilidade urbana sustentável.

Como resultado de uma política urbana falha e da inexistência de sistemas que planejem e ordenem as atividades desenvolvidas por sistemas de transporte e circulação, entram na contestação o comprometimento com a mobilidade, acessibilidade e sustentabilidade urbana. Portando, a elaboração de políticas públicas que atuem em conjunto com o planejamento urbano e de transportes deve se atentar para garantir melhores condições à população em seus deslocamentos, além de oferecer eficiência e segurança por meio de uma mobilidade urbana sustentável.

No intuito de encontrar soluções que atendam às necessidades de deslocação das pessoas nas áreas urbanas e estimular e reforçar a integração entre os diferentes modos de transporte deve ser avaliado principalmente os impactos das atividades humanas, tanto para a atual geração quanto para as futuras, numa perspectiva ambiental, de coesão social e de desenvolvimento econômico.

O referido artigo de revisão aborda de forma sucinta alguns meios para encontrar a mobilidade urbana sustentável em cidades metropolitanas que sofrem com o problema dos congestionamentos e direcionar o pensamento dos leitores a uma análise dos principais aspectos que tornam uma sociedade sustentável em relação aos transportes.

O objetivo é buscar em consultas bibliográficas exemplos de planos feitos pelos municípios que servem como base para outras cidades que pretendem implantar um sistema e alcançar a mobilidade urbana sustentável.

CONCEITO DE MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

O princípio do desenvolvimento sustentável, segundo PLUME, 2003, é definido como uma forma de desenvolvimento que vai ao encontro das necessidades da geração atual sem comprometer a possibilidade (ou a capacidade) das gerações futuras de satisfazer as suas necessidades.

Conforme Figura 1, sustentabilidade não está relacionada apenas as questões ambientais. O termo abrange as questões econômicas, sociais e políticas, formando o tripé da sustentabilidade, e devem promover a integração de todas as dimensões para embasar uma discussão (SAMPAIO, 2009).

Seguindo esse entendimento, a avaliação dos impactos ambientais deve ser discutida cada vez mais, se fazendo necessária para a determinação de estratégias que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável no contexto de sistemas de transporte. Ou seja, inicialmente deve-se discutir a importância da sustentabilidade urbana e em seguida tratar sobre a mobilidade sustentável com enfoque no crescimento socioeconômico e futuramente ambiental.

De maneira geral e bem simplificada, ALVES e JUNIOR destacam que a mobilidade urbana poderia ser interpretada como a capacidade de locomoção de pessoas e bens dentro do espaço urbano, ou seja, o conceito está relacionado aos deslocamentos diários das pessoas, assim como a sua facilidade e possibilidade de ocorrência dessas viagens.

Já a Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável, criada pelo Ministério das Cidades (BRASIL, 2004), define, por sua vez, a mobilidade urbana como sendo uma característica associada às pessoas e bens e se refere às necessidades de deslocamentos no espaço urbano. Também indica que o conceito vai muito além de ser uma questão apenas das condições de circulação e da utilização dos meios de transporte – representa a forma com que os indivíduos se relacionam com o espaço em que vive, objetos, meios empregados para o deslocamento e com outros indivíduos.

De modo geral, a Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana define como mobilidade sustentável aquela que colabora com o bem-estar econômico e social, sem afetar a saúde humana e o meio ambiente, compreendendo os aspectos econômicos, sociais e ambientais (SEMOB, 2006).

 

CONTRIBUIÇÕES PARA UMA MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

Inicialmente, em se tratando de mobilidade urbana, devem-se levar em consideração os custos que o sistema gera para as cidades, uma vez que essa atividade reflete em transformações do meio ambiente como derrubada de matas para o trânsito ganhar mais espaço, pavimentações e construções de ruas e estradas, poluição devido à emissão de gases, além de custos com acidentes de trânsito etc.

Portanto, deve-se buscar a melhor maneira de utilizar a acessibilidade com educação e respeito à vida, já que esse é o maior custo que se pode ter. São necessários investimentos para que se possa oferecer aos usuários rapidez e agilidade nas coletas e entregas de mercadorias nas regiões mais distantes, lidando com a educação para o trânsito e prevenindo acidentes, além de trabalhar com a conscientização da população quanto à preservação ambiental, evitando que as pessoas joguem lixo nas estradas, o que afeta a própria qualidade de vida.

O essencial é que se combine políticas de tarifação para o transporte público e o uso de automóveis, diferenciando os valores em relação à hora de pico das cidades e também em áreas congestionadas e não congestionadas. Devido a essas combinações de políticas e as mudanças que vierem a ocorrer na demanda pelo serviço de transporte, é importante direcionar os programas de investimento nessa área, a fim de que se possa suprir a demanda.

Em se tratando de exemplos práticos, temos algumas soluções plausíveis para um início de pensamento voltado à mobilidade urbana sustentável. É importante, por exemplo, que as cidades incentivem a população a usar transportes alternativos, oferecendo transporte público de qualidade, não poluente e que supra as necessidades dos usuários. Além do mais, oferecer serviços de entrega também é uma opção para diminuir os congestionamentos, além do incentivo de caminhadas e deslocamentos com bicicletas.

As bicicletas, por sua vez, despontam como alternativa saudável, viável e necessária para uma cidade sustentável. Algumas vantagens na utilização das bicicletas para a mobilidade urbana são: a não emissão de CO2 e de outros gases causadores do efeito estufa ou componentes dos combustíveis fósseis; ganho na velocidade, em comparação aos veículos que ficam parados em congestionamentos; proporciona ao usuário condicionamento físico e mental, o que diminui a ansiedade, os problemas de depressão, a sensação de liberdade e a independência; tudo isso, além de ser o meio de transporte mais eficiente em se tratando de velocidade e consumo de energia.

Quanto ao município, gerar um programa de controle e gerenciamento de tráfego, criando, por exemplo, algumas restrições de veículos em locais com grande fluxo de pedestres. Também promover a integração entre pessoas e construções, possibilitando lazer, trabalho e outras atividades em espaços próximos, evitando maiores deslocamentos e acúmulos de pessoas. Além disso, preservar os bens municipais socioculturais, ambientes e as belezas naturais, criar vínculos entre lugares, proporcionando caminhos livres e diretos para os usuários.

Em termos gerais, alcançar a mobilidade urbana sustentável é:
integrar políticas urbanas e de mobilidade, compatibilizando o uso do solo com as estruturas de transporte;
investir em sistemas de qualidade e com maior capacidade, priorizando o transporte coletivo no uso do espaço público viário;
qualificar os espaços públicos, organizando os serviços de transporte de forma integrada;
tratar os pontos de parada adequadamente e melhorar a qualidade dos ônibus;
ter boas condições de acessibilidade à energia limpa.

É também construir espaços cicloviários e integrar as redes de bicicletas com o transporte público, e construir estacionamentos de bicicletas (paraciclos) nas vias públicas. É priorizar as calçadas para o uso das pessoas e fazer manutenções periódicas no caminho dos pedestres. É utilizar tecnologias avançadas para promover a qualidade da mobilidade, implementando medidas de controle do tráfego motorizado. E, por fim, pensar em mobilidade urbana sustentável é pensar na redução da dependência do transporte motorizado individual, ou seja, os automóveis, optando por outros meios de transporte menos poluentes, disponibilizados por meio das novas políticas urbanas.

SISTEMA DE COMPARTILHAMENTO DE BICICLETA (LONDRES)

EXEMPLOS DE PLANOS DE MOBILIDADE URBANA SUSTENTÁVEL

As cidades listadas a seguir possuem planos que aliam sistemas de transportes à sustentabilidade e obtiveram êxito no quesito de mobilidade urbana sustentável, com elevados benefícios na circulação de pedestres e demais usuários das ruas e estradas da cidade.

LONDRES – REINO UNIDO

É conhecida mundialmente por integrar os diversos modais de transportes públicos, como metrô, trem, táxi, bicicleta, ônibus, barco e bondinho. Um sistema que realmente funciona, pois alia qualidades como pontualidade e tarifas racionais. Além disso, os horários se encaixam perfeitamente sem atrasos entre os diferentes modais.

Tudo isso é possível por meio de um cartão magnético, que quando recarregado dá acesso a metrô, trens, ônibus e barcos por valores coerentes. Ou seja, esse é um exemplo de sistema de desenvolvimento socioeconômico que integra o meio ambiente, sendo assim um plano de mobilidade urbana sustentável.

A Figura 2 apresenta um ponto de estacionamento das bicicletas públicas de Londres. Por lá, elas são as donas das ruas, têm acesso livre e circulam por lugares até mesmo onde não há ciclovias. A população está instruída e educada a respeitar em primeiro lugar o usuário da bicicleta, dando prioridade a ele em cruzamentos.

Londres é hoje considerada a terceira cidade com o melhor transporte público do mundo, perdendo apenas para Tóquio, no Japão, e Nova York, nos Estados Unidos. Grande parte desse avanço se deve ao prefeito Boris Johnson, que implantou na cidade o sistema de compartilhamento de bicicletas durante sua gestão, de 2008 a 2016.

O sistema implantado em Londres deu certo porque, além de ter reduzido o número de veículos nas ruas, diminuiu o número de ocupantes do sistema de transporte da cidade, beneficiando até mesmo as pessoas que não utilizam bicicleta, e reduziu os custos de operação para o governo.

FREIBURG – ALEMANHA

Para diminuir as emissões de CO2, a cidade de Freiburg, na Alemanha, optou por investir em energia solar para atender à demanda da população, além de aumentar drasticamente as linhas de ônibus elétricos e ciclovias.

Considerada a metrópole do futuro, Freiburg possui características de uma das áreas urbanas mais desenvolvidas em termos de sustentabilidades do mundo todo e conta com um sistema de mobilidade urbana sustentável muito bem-sucedido. Conforme a Figura 3, nota-se que as vias urbanas são muito bem demarcadas e prevalece o incentivo a caminhadas e a ciclovias.

Freiburg conta com uma malha de aproximadamente 500 km de ciclovias e 200 mil bicicletas, segundo site PensamentoVerde.com. Além disso, medidores de poluição estão espalhados pela cidade para evidenciar o baixo nível de emissão de gases poluentes.

DEMARCAÇÃO DE VIA PREFERENCIAL PARA CICLOVIA E PEDESTRE (FREIBURG)

Outra medida provisória adotada pela prefeitura do município é o fato de que os veículos não podem ultrapassar 30 km por hora e as vagas de estacionamento no centro serem cobradas com valores exorbitantes, a fim de reduzir ainda mais a utilização desse meio de transporte, uma vez que a cidade conta com diversas linhas de bonde elétrico com instalação barata e com adaptação para receber os ciclistas.

HAMBURGO – ALEMANHA

Segunda maior cidade da Alemanha, Hamburgo tem um programa, iniciado em 2014, que visa tirar todos os carros das ruas dentro de 20 anos. Decidida a terminar com a dependência a esse tipo de veículo, a prefeitura implantou um sistema que surgiu a partir de uma ideia bem simples: potencializar as áreas verdes, as ciclovias e o transporte público.

GRANDE NÚCLEO VERDE NA CIDADE (HAMBURGO)

O projeto já está sendo executado e a ideia inicial é ampliar as áreas verdes do município, incluindo desde jardins, centros esportivos, praças, parques comunitários e até cemitérios, e juntamente com isso construir ciclovias e passeios para pedestres que interliguem todos esses locais. Conforme ilustrado na Figura 4, a geografia da cidade já contribui para o início desse processo, pois Hamburgo possui dois grandes núcleos verdes, e com essa iniciativa a população poderá ir de um canto a outro da cidade de forma sustentável através de uma nova rede de ciclovias e passeios de pedestres.

CARSHARING (DENVER)

DENVER – ESTADOS UNIDOS

A proposta de Denver, nos Estados Unidos é transformar vias expressas em grandes boulevards para pedestres. Além disso, nas avenidas que antes eram de movimento intenso de veículos hoje transitam apenas ônibus híbridos que se interligam a outros meios de transporte como metrô e trens.

Para iniciar o plano de mobilidade urbana sustentável, a cidade de Denver procura desestimular a utilização dos transportes individuais e compartilha as ruas da cidade com outros meios de transportes não motorizados. Assim as áreas de estacionamentos diminuem, e os diversos meios de transportes são interligados, dando prioridade a transportes mais ágeis e dinâmicos.

Além de vias privativas para ônibus híbridos, a cidade conta com ciclofaixas, facilidades para circulação de bicicletas, paraciclos em todos os locais, estacionamentos de bicicletas, sistema de compartilhamento de bicicletas próximo aos locais de transportes públicos e de grande fluxo comercial, educacional e de trabalho. Também conta com ônibus equipados para receber ciclistas.

Mais uma alternativa na cidade de Denver é o uso do carsharing, que nada mais é do que o aluguel de veículos em que os clientes alugam os carros pela quantidade de horas utilizadas, específico para uso rápido, diferentemente do aluguel de veículos convencional, em que o cliente deve alugar o carro por diárias. Assim, os usuários podem alugar o veículo simplesmente para se deslocar até o trabalho, escola, áreas de lazer etc., uma vez que as locadoras de carsharing já procuram estar próximas desses polos.

Conforme Figura 5, os veículos utilizados pelo carsharing em Denver muitas vezes são híbridos, e as redes de recarga estão espalhadas pela cidade próximas das centrais de locação dos veículos.

PEDÁGIO URBANO (CINGAPURA)

CINGAPURA

O grande diferencial para promover a mobilidade urbana sustentável em Cingapura é o pedágio urbano, pois foi a primeira localidade do mundo a cobrá-lo desde 1975. Inicialmente foi cobrado apenas no horário de pico da manhã, devido à medida tomada pela prefeitura da época ter sido muito polêmica entre a população. Depois de mais de uma década, o pedágio urbano passou a ser cobrado também na hora de pico da tarde. Também chamado de tarifação de congestionamento e diferentemente de um pedágio convencional, o pedágio urbano não necessita de cancelas e é cobrado diretamente aos usuários das faixas, por meio de equipamentos eletrônicos (Figura 6). O objetivo principal é fazer com que os usuários sejam mais cientes de que são obrigados a pagar pelo engarrafamento adicional que estão criando.

Os ganhos com a implantação do sistema de pedágio urbano em Cingapura foram significativos, e pode-se destacar entre outros a redução dos engarrafamentos em 7% na parte da manhã e 34% no período da tarde; a procura pelo transporte público cresceu 63% e o uso do automóvel diminuiu 22%.

Os acidentes de trânsito também sofreram uma redução, entretanto, no quesito sustentabilidade, destacamse a melhoria na qualidade do entorno urbano, a redução da poluição e a melhoria do seu atrativo turístico, preservando sítios, monumentos históricos, patrimônios mundiais e incentivando o acesso a pé e de bicicletas até os centros antigos.

SISTEMA DE ESCADAS ROLANTES, CENTRAL-MID-LEVELS (HONG KONG)

HONG KONG – CHINA

O destaque para Hong Kong, na China, são as escadas rolantes que dão acessibilidade e mobilidade à população no centro da cidade (Figura 7). Conforme o site Cidades Sustentáveis, Hong Kong conta com o maior sistema de escadas rolantes ao ar livre do mundo, o Central-Mid-Levels, que tem aproximadamente 800 m com 20 passagens fechadas que unem com pontes de pedestres e galerias comerciais.

As escadas foram construídas para ligar aereamente três regiões centrais da cidade e possuem estações de acesso gratuito. Com a implantação das escadas rolantes, Hong Kong atrai a população para não utilizar veículos poluentes, interligando as três regiões mais movimentadas da cidade. Com isso, cerca de 55 mil pessoas passam pelas escadas rolantes por dia.

Hong Kong é conhecida mundialmente pela população numerosa, com pouco mais de 7 milhões de habitantes, que utiliza diariamente o sistema de metrô, muito famoso e conhecido como MTR. De acordo com ArchDaily, cerca de 90% de todas as viagens em Hong Kong são feitas pelo sistema MTR. Outras são feitas por balsa, que conectam a cidade com a zona empresarial.

Apesar da grande densidade populacional, Hong Kong tem a mobilidade urbana mais avançada do mundo, com o transporte considerado pouco poluente, baixa taxa de mortalidade no trânsito e pontualidade nos tempos de viagens para o trabalho.

ESCADAS ROLANTES EM FAVELA (MEDELLÍN)

MEDELLÍN – COLÔMBIA

Alguns bairros pobres situados na cidade de Medellín, na Colômbia, vinham tendo muitos problemas de mobilidade urbana, pois foram sendo construídos de forma irregular em morros onde a acessibilidade era difícil – moradores mais velhos ficaram isolados, sem capacidade de se locomover até o centro ou para outros bairros da cidade.

No intuito de acabar com os problemas de circulação dos moradores desses bairros, a prefeitura municipal resolveu construir escadas rolantes ao ar livre (Figura 8), e desde então se tornou exemplo de urbanismo por levar a infraestrutura de mobilidade urbana até o morro e proporcionar melhorias na qualidade de vida de seus habitantes. O trajeto de subida do morro, que antes era feito por escadarias enormes de até 500 m em 30 minutos, hoje pode ser feito com facilidade por qualquer morador em 10 minutos.

CICLOFAIXAS (SOROCABA)

SOROCABA – BRASIL

Com uma população de mais de 586 mil habitantes, Sorocaba, situada no estado de São Paulo, implantou desde 2006 medidas e ações para melhor a mobilidade da cidade. Incluindo a inserção de um sistema BRT (bus rapid transit), que consiste basicamente em uma faixa de rodagem exclusiva para os ônibus desse sistema, a fim de evitar congestionamentos do tráfego, visando combinar a capacidade e a velocidade de um metrô com a flexibilidade, baixo custo e simplicidade de um sistema de linhas de ônibus.

Além disso, para ser considerado BRT, a linha exclusiva de ônibus deve estar alinhada no centro da via, evitando atrasos típicos do lado do meio-fio; deve conter estações com cobrança de tarifa fora do veículo e no nível do piso do ônibus, reduzindo, assim, o tempo de embarque e desembarque relacionado com o pagamento ao motorista e causado por escadas. Também deve ser feito um projeto de trânsito visando à prioridade de ônibus nos cruzamentos, evitando atrasos com interseções rodoviárias.

Conjuntamente a isso, Sorocaba conta com pacotes de obras viárias, melhoria na acessibilidade de pedestres e construção de ciclovias. Conforme site da prefeitura, a cidade é equipada com 115 km de ciclovias e ciclofaixas, que estão totalmente integradas e não ficam segmentadas, atravessando a cidade de leste a oeste e contando ainda com estacionamentos de bicicletas espalhados pelo município e com oito quiosques com capacidade de acoplar entre 40 e 60 bicicletas.

Segundo o site da prefeitura municipal de Sorocaba, as faixas exclusivas para ciclistas funcionarão por enquanto apenas nos domingos, das 7 às 12 horas. Conforme demonstrado na Figura 9, as ciclofaixas estão demarcadas com tinta para os usuários se atentarem aos horários de utilização.

RODÍZIO DE PLACAS (SÃO PAULO)

SÃO PAULO – BRASIL

O rodízio de veículos determinado de acordo com a placa dos carros nos dias úteis da semana dá à cidade de São Paulo o benefício para os usuários buscar outros meios de transporte como bicicleta e moto ou até mesmo o transporte público. Porém, é evidente que a estrutura de São Paulo para receber tantas motos e bicicletas ainda é falha e que o transporte público é ineficiente. O que causa ainda mais tumulto e congestionamentos, e por consequência mais acidentes e revolta da população com o governo.

Uma provável solução para a mobilidade urbana na cidade de São Paulo seria a construção de mais linhas de metrô e a ampliação das que já existem, a melhoria da qualidade do transporte por trilhos e por ônibus e a manutenção periódica de ruas e avenidas, bem como a construção de mais corredores exclusivos de ônibus.

CONCLUSÃO

A Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável indica a prioridade aos transportes coletivos e aos deslocamentos não motorizados, a pé ou por meio de bicicletas, como parte de uma política de inclusão social e combate à pobreza urbana. Neste sentido, o estudo buscou definir sugestões para a concretização de uma mobilidade sustentável, revelando ser um processo relativamente viável no que se refere às aspirações da comunidade e no que diz respeito à sua implementação, levando-se em conta a questão de escala.

Com o estudo foi possível verificar que algumas das cidades mais populosas do mundo já adotam um tipo de sistema municipal que visa à melhoria da mobilidade urbana, integrado à questão da sustentabilidade. Foram analisadas todas as variáveis para determinar que se tenha um crescimento sustentável nas metrópoles, inclusive as brasileiras.

Com os exemplos citados neste artigo, define-se como maior contribuição para a mobilidade urbana sustentável a criação de leis e políticas que integrem a sociedade com o meio ambiente de forma econômica. Políticas que priorizem o pedestre, o ciclista e os meios de transportes não poluentes.

Este artigo foi útil para entender quais são os pilares para que se alcance a tão esperada mobilidade urbana sustentável. Foi possível averiguar o que algumas cidades pelo mundo estão fazendo para contribuir com esse tema. O conhecimento adquirido com os estudos e as pesquisas feitas para realizar o presente artigo foram úteis e serão levados como aprendizado para a vida profissional.


BIBLIOGRAFIA

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PLUME (2003) – Synthesis Report on Urban Sustainability and its Appraisal, PLUME- Planning for Urban Mobility in Europe.

SAMPAIO, Danusa Teodoro. Sustentabilidade Urbana: Conceitos e Controvérsias. V Encontro Nacional e III Encontro Latino-Americano sobre Edificações e Comunidade Sustentável (ELECS, 2009).

SEMOB. Política Nacional de Mobilidade Urbana Sustentável. Ministério das Cidades, Caderno 6, 2006.