Edifício de quatro andares projetado pelo Arquea em lote estreito de Curitiba combina vidro, elementos vazados e térreo livre

Em um lote irregular de 7,5 m de frente que afunila até chegar a 4 m, o escritório Arquea, em Curitiba, conseguiu inserir um edifício de dois pavimentos e térreo livre em um total de 370 m2 de área construída. Para fugir da pequena largura, o arquiteto Fernando Caldeira de Lacerda, do Arquea, implantou a construção junto à rua, respeitando 5 m de recuo frontal, e liberou os fundos para criação de área verde e estacionamento. O potencial construtivo do terreno somado ao seu tamanho propiciou a criação de quatro apartamentos de um dormitório, sendo dois deles voltados para a rua e dois para o jardim, divididos em blocos unidos por passarelas de circulação. A construção foi resolvida com o uso de um sistema pré-fabricado de lajes painel, mais esbeltas. Elas funcionam de modo similar ao de uma laje maciça e permitem a ausência de vigas nas bordas frontal e posterior, o que torna a fachada visualmente mais leve. A estrutura resultou em um térreo livre e contínuo: o olhar de quem passa pela rua alcança o fundo do lote, criando uma relação de continuidade entre espaço público e privado.

O acesso aos apartamentos é feito por um átrio central, onde escadas e passarelas se organizam protegidas apenas por uma sequência de ripas de madeira, como um brise vertical. Além de ventilação, por entre as ripas entra luz abundante, intensificada por uma abertura zenital que clareia todo o conjunto. Para o átrio também se voltam as áreas molhadas dos apartamentos, garantindo que cada uma das unidades tenha sua cota de luz e ventilação. Os mesmos brises de madeira das passarelas giram e tornam-se horizontais e móveis nas fachadas frontal e posterior. Protegem, assim, as portas de correr envidraçadas e garantem privacidade e conforto térmico aos moradores. O volume robusto do edifício se destaca exatamente pelo jogo de luz e sombras proporcionado por elementos vazados e transparentes.

Os acabamentos são simples e discretos e evidenciam a arquitetura. As cores branca, preta e cinza prevalecem no piso de pedra portuguesa das áreas comuns, bem como na pintura clara da alvenaria, nas esquadrias metálicas e nos guarda- corpos de tom escuro. As poucas divisórias das unidades são de gesso acartonado. Lajes de concreto foram mantidas aparentes, com iluminação resolvida por eletrocalhas. A essência de materiais revelados sem revestimentos, como o concreto e a madeira, dispostos em linhas ortogonais, garantem ao pequeno empreendimento a proporcionalidade da forma e a aparente simplicidade da leveza arquitetônica.

AS FAR AS THE EYE CAN SEE
On an irregular lot, where the 7.5 meter frontage funnels down to four meters, the Arquea firm, in Curitiba, managed to insert a two-story building, with a total constructed area of 370 m2, above the open grounds. Set next to the street, the building complies with the five-meter frontal setback, and frees up the back for green area and parking. There are four one-bedroom apartments- two facing the street and two facing the garden-divided into united blocks by circulating walkways. The construction was resolved with the use of a pre-fabricated system of thinner panel slabs. Meanwhile, the structure has afforded open continuous grounds: a look from any passerby can see the back of the lot from the street, creating a continuing relationship between public and private space.

Access to the apartments is made by a central atrium, where stairways and walkways are organized and shielded only by a sequence of wooden slats, like a vertical brise. The robust volume of the building is specifically highlighted in a game of light and shadows provided by nooks and transparent elements. White, black and gray prevail in the Portuguese stone flooring of the common areas, as well as in the light-colored masonry painting, in the metal window frames and in the dark tone of the guard railings. The few partitions dividing the units are made of drywall. With illumination resolved by cable tray systems, the concrete slabs were left exposed. The essence of materials exposed without cladding, like the concrete and the wood, set in octagonal lines, vest the small project in the proportionality of form and the apparent simplicity of architectonic lightness.

POR: SIMONE SAYEGH FOTOS: LEONARDO FINOTTI